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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Confirmado que questões vazadas eram do pré-teste aplicado no Christus

Enem - Quinta-feira, 27 de outubro de 2011 - 16:11

Segundo os dados levantados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), constatou-se que o Colégio Christus, em Fortaleza, foi sorteado para a aplicação de pré-testes para o banco nacional de itens, realizados em outubro de 2010. 

O pré-teste foi aplicado para duas turmas, também sorteadas, uma de 47 alunos e outra de 44 alunos, em um dia normal de aula. Os alunos e a escola haviam sido informados apenas de que se tratava de um pré-teste para o banco nacional de itens, que auxiliaria nas avaliações da educação básica. Os pré-testes aplicados pelo Inep seguem procedimentos sigilosos. Apenas os alunos têm acesso aos cadernos durante a aplicação que é acompanhada por três fiscais em cada turma.
 

Todos os cadernos foram devolvidos e devidamente conferidos. Não houve, portanto, extravio do material. Entretanto, a análise das questões divulgadas pela rede social no início da semana levou os técnicos à conclusão de que as questões de matemática e ciências da natureza e ciências humanas e linguagens de dois dos 32 cadernos de questões do pré-testes foram copiadas, das quais 14 constavam da prova do Enem 2011.
 

Vários alunos da própria escola manifestaram-se, por meio da imprensa e do serviço 0800 do Inep, garantindo que receberam questões encadernadas em material apócrifo e com programação gráfico-visual distinta do habitualmente distribuído:

“
Como aluno da própria escola, confirmo que no máximo três dias antes das provas, recebemos TDs (apostilas) com 92 questões, incluindo 14 que caíram no exame. O mais curioso foi termos recebido das mãos de um dos coordenadores e principais professores, com a instrução de que não deveríamos compartilhar os TDs com nenhum candidato de outra escola.” J.G.M., pelo 0800 do Inep.

“
É muito ruim ter que fazer de novo, mas pelo menos fica de igual para igual” – A.P.O.S., estudante do terceiro ano do Colégio Justiniano de Serpa, da rede estadual, publicado no Diário do Nordeste, no dia 27 de outubro.

“
Não foram só as questões iguais que os deixaram (os alunos do Christus) com vantagem, mas o tempo que eles ganharam por ter demorado menos em cada questão” – G.G.L., aluno do pré-vestibular do Colégio Farias de Brito, também publicado no Diário do Nordeste em 27 de outubro.

“
Esse é o melhor material que temos sobre o Enem; é melhor não mostrar aos concorrentes.” M.A., reproduzindo no portal G1 frase que ouviu de um professor do colégio Christus, quando distribuiu as apostilas com as questões idênticas às da prova. 

O próprio Colégio Christus, em nota de esclarecimento divulgada as 21h30 (horário de Brasília), em Fortaleza, admite que as questões poderiam ter sido obtidas no pré-teste: “
Acresce que a divulgação das questões possivelmente derivou de pré-testes efetivados pelo Inep.”

Anteriormente, em nota divulgada durante a tarde de quarta-feira, 26, o Colégio Christus afirma: “
O Colégio Christus verificou que há evidências de que as questões em discussão foram objeto de pré-testes efetivados entre os anos de 2009 e 2011”.

Enfatiza-se que as questões reproduzidas não eram de domínio público, e não poderiam ter sido memorizadas pelos estudantes, devido ao grau de detalhismo e similaridade. Também está afastada a hipótese de que as questões teriam circulado pela web antes da realização da prova.
 

A decisão do Inep de cancelar as provas realizadas pelos alunos do Colégio Christus baseia-se unicamente no princípio da isonomia, fazendo-se justiça. Na medida em que os estudantes do colégio tiveram acesso a essas questões, eles passaram a ter vantagem em relação aos demais participantes. Assim, a reaplicação da prova é a melhor forma de compensar prejuízos ou favorecimentos a qualquer participante, já que a metodologia de análise dos resultados permite a comparabilidade.
 

A Polícia Federal segue na investigação para apurar os responsáveis e as circunstâncias em que se deu a fraude no pré-teste aplicado no Colégio Christus, em outubro de 2010.

(Assessoria de Comunicação Social) 


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